Sou a mais nova de três irmãs.
Sou a filha que apareceu quando ninguém estava à espera. Sou a filha que mais
“trabalho” deu aos pais. Sou a filha com o feitio mais peculiar. Sou a filha
“mais rebelde”. Sou a filha mais independente. Sou a filha mais mimada.
Normalmente não costumo dizer que
sou mimada e quem me conhece bem sabe disso. Ensinaram-me que ser mimada não
era aquilo que eu achava ser…admito, sou mimada no sentido de mimos. Sempre fui
muito mimada no que diz respeito a mimos. Normal!!! As minhas irmãs quando
nasci tinham 12 e 8 anos. Acabei por vir então substituir os nenucos lá de
casa, vim ser o boneco que elas mais gostavam de brincar e a minha mãe deixava,
porque era uma forma de criarem laços, não haver ciúmes e de me amarem…
Quando decidi que estava na hora
de ir viver “sozinha”, todos aceitaram apesar de saber que lá por dentro
estavam a torcer para que mudasse de ideias, porque “a menina” ainda era
demasiado bebé para ir morar sem os pais e as manas. Mas fui…e provei que era
capaz, apesar de muitas vezes ter chorado por sentir a falta dos mimos, da
atenção, do conforto!
Agora que regressei a casa, o
voltar à vida antiga abalou-me, já não estava habituada a um certo tipo de
controlo, estava habituada à minha liberdade, ao meu espaço, aos meus
momento…Mas agora noto que a minha mãe transparece alegria e sossego. Mima-me
todos os dias, acorda à mesma hora que eu acordo para me tratar do
pequeno-almoço, prepara o copinho de café para a viagem…é a primeira pessoa com
quem converso todos os dias, partilhamos os sonhos que tivemos, os planos para
o dia, as tarefas e até discutimos o jantar…tudo isto antes das 7h, nem sempre
é fácil, mas faço um esforço, porque vejo que estes momentos só nossos lhe
fazem feliz.
Hoje vejo a minha mãe mais feliz
e isso deixa-me bem. Não será para sempre, um dia ela vai ter de se habituar à
ideia de que a filha “bebé” cresceu e já é mulher…independente, dona do seu
nariz e do seu mundo…Até lá vou deixando as coisas rolarem como têm estado a
rolar e a aproveitar cada mimo, cada carinho, cada gesto…Porque a mãe, o pai e
as manas também merecem ter um pouco mais de mim!
Adoro esta fotografia!

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