domingo, 13 de março de 2016

A menina mimada

Sou a mais nova de três irmãs. Sou a filha que apareceu quando ninguém estava à espera. Sou a filha que mais “trabalho” deu aos pais. Sou a filha com o feitio mais peculiar. Sou a filha “mais rebelde”. Sou a filha mais independente. Sou a filha mais mimada.
Normalmente não costumo dizer que sou mimada e quem me conhece bem sabe disso. Ensinaram-me que ser mimada não era aquilo que eu achava ser…admito, sou mimada no sentido de mimos. Sempre fui muito mimada no que diz respeito a mimos. Normal!!! As minhas irmãs quando nasci tinham 12 e 8 anos. Acabei por vir então substituir os nenucos lá de casa, vim ser o boneco que elas mais gostavam de brincar e a minha mãe deixava, porque era uma forma de criarem laços, não haver ciúmes e de me amarem…
Quando decidi que estava na hora de ir viver “sozinha”, todos aceitaram apesar de saber que lá por dentro estavam a torcer para que mudasse de ideias, porque “a menina” ainda era demasiado bebé para ir morar sem os pais e as manas. Mas fui…e provei que era capaz, apesar de muitas vezes ter chorado por sentir a falta dos mimos, da atenção, do conforto!
Agora que regressei a casa, o voltar à vida antiga abalou-me, já não estava habituada a um certo tipo de controlo, estava habituada à minha liberdade, ao meu espaço, aos meus momento…Mas agora noto que a minha mãe transparece alegria e sossego. Mima-me todos os dias, acorda à mesma hora que eu acordo para me tratar do pequeno-almoço, prepara o copinho de café para a viagem…é a primeira pessoa com quem converso todos os dias, partilhamos os sonhos que tivemos, os planos para o dia, as tarefas e até discutimos o jantar…tudo isto antes das 7h, nem sempre é fácil, mas faço um esforço, porque vejo que estes momentos só nossos lhe fazem feliz.

Hoje vejo a minha mãe mais feliz e isso deixa-me bem. Não será para sempre, um dia ela vai ter de se habituar à ideia de que a filha “bebé” cresceu e já é mulher…independente, dona do seu nariz e do seu mundo…Até lá vou deixando as coisas rolarem como têm estado a rolar e a aproveitar cada mimo, cada carinho, cada gesto…Porque a mãe, o pai e as manas também merecem ter um pouco mais de mim!

Adoro esta fotografia!

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