Estás cada dia mais frágil, mais fraca e a cada dia que
passa receio que aquele dia que queria que levasse muito chegar…chegue. Estás
débil, cada vez mais doente…mas tens sempre lá para ti alguém que te ama e que
só te quer bem. Estou longe, avó, e acredita que esta distância, apesar de não
muito longa, cada dia que ouço que tiveste mais uma recaída é um rio que se
abre e me captura. Queria estar perto de ti, para que tivesses sempre presente
na tua memória já velhinha o meu rosto, mas não consigo avó… e isso custa-me
tanto! Dói, magoa, é tão doloroso que não te sei descrever.
Estou a lutar pelo meu futuro, que sei que lá no fundo ainda
te lembras, estou a lutar por um sonho que também é teu. Estou a tentar ser uma
mulher como tu o foste e ainda és. Estou a dar o melhor que consigo, mas não
estou a conseguir estar presente nestes teus momentos. Visito-te quando
regresso, mas quase nunca me vês…estás fraquinha, avó, e dormes tanto! Queria
apenas que me visses realizar o meu sonho, mas não te obrigo a lá chegar…quando
chegar a tua hora, que Deus te leve em paz, já viveste e passaste por tanta
coisa que nessa altura será de certeza a hora certa.
Espero, apenas, conseguir ainda te ver a sorrir e a dizer “a
minha Beatriz” que tanto gosto de ouvir, espero ainda receber aquele teu
beijinho e aquele abraço que só tu sabes dar…Mas quando tiveres de ir… vai, não
posso ser egoísta, não podemos ser…Só espero um dia ser a mulher que tu foste e
ter a força que tu tens. Amo-te avó e acho que nunca te disse..
