“Então, e agora?!” deve ser das perguntas que mais me têm
feito nos últimos tempos. Ou melhor dizendo tem sido a única pergunta que me fazem,
agora. Agora que acabou. Acabou-se o estágio, daqui a um mês entrego a tese e
depois…bem o depois eu também não sei. O depois será uma incógnita e pela
primeira vez na vida sinto-me completamente “à nora”. Até agora nunca tive de
me preocupar com o “a seguir”, porque o “a seguir” sempre teve resposta. Porque
o “a seguir” sempre foi certo. Porque o “a seguir” sempre me deixou segura.
Porque o “a seguir” sempre dependeu apenas de mim…
O “a seguir” agora…assusta-me. Tira-me o sono, a vontade de
comer, causa-me insónias, tira-me a vontade de celebrar o que quer que seja.
Porque sinto medo, uma angústia pela busca de um “a seguir”, para o qual a
resposta não depende apenas de mim. Há a espera…que tanto pode ser curta ou
longa. E essa espera faz-me pensar: o que farei nesses tempos?! Vou à procura,
eu sei…mas, e enquanto procuro? Os dados estatísticos afirmam que o desemprego
baixou, mas…quem me garante que eu terei sorte? Quem me garante que me
escolhem? Ninguém me garante nada, porque não há garantias nesta altura…Porque
nesta altura só há uma coisa que me garantem…uma espera. E durante essa espera
só me garantem que vou ter de saber lidar com esta paragem. Uma paragem que
nunca fiz. Uma paragem que muitos dizem que vai fazer-me bem. Uma paragem que
me dará tempo para dedicar-me a algumas coisas que não consegui até agora. Uma
paragem que espero não ser demasiado grande porque não sou pessoa de parar,
esperar muito tempo, não fazer nada de útil e substancial…
Se fosse como o outro, mal-acabava o curso e lá ia eu…em
busca e à descoberta de um mundo que tanto tem para mostrar. Lembro-me de
quando falamos sobre isto naquela altura pareceu-me surreal, mas agora percebo.
Agora dou valor e sei o porquê dessa vontade…Se pudesse era o que faria,
enquanto uma resposta não chega, enquanto não me dão uma certeza. Mas não há
essa possibilidade, mas existirão outras (espero) que me ocupem, que me
realizem… Só que poucos percebem esta fase, esta preocupação. Mas aos muitos eu
só peço tempo, para saber lidar comigo e com estas mudanças, inseguranças,
receios de uma
finalista-ex-estagiária-futura-recém-formada-engenheira-química-um-dia. Mas aos
muitos eu só peço que não me perguntem o “e agora”. Porque o “e agora” será meu
e apenas meu, e para saber dele preciso de tempo para me dedicar a ele e
descobrir um sentido, um motivo, um lado bom, o onde é que ele pode ser positivo…Porque
sobre o “e agora” eu não sei nada!